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De Humanos para Humanos.

Agora mais do que nunca, despendemos a nossa atenção para a internet, desde redes sociais, streamings, vídeos a websites. Usamos tudo o que nos possa entreter nestes tempos diferentes que vivemos. Em média um adulto gasta cerca de 2 horas diariamente no telemóvel. Depois da quarentena a maioria subiu para quase 4 horas em redes sociais, sites ao longo da internet e emails

Inês Victorino
Set 21 • 3 min leitura
De Humanos para Humanos.

Nestas 2 a 4 horas diárias o utilizador está constantemente a receber e a enviar dados (fonte vox.com). Para onde é que estes vão? Onde ficam guardados e como é que são utlizados?

Ao analisarmos os anúncios que recebemos ao longo da nossa navegação conseguimos compreender o que já sabem de nós. Normalmente no meu computador e telemóvel pessoal são todos à volta de moda, maquilhagem, cães, videojogos etc... Por enquanto sabem o meu sexo e que sou jovem o suficiente, e aí sou bombardeada com artigos que os meus pares consomem. Estes anúncios pouco me interessam e na realidade consigo ignorá-los a maioria das vezes, mas de repente recebo o anúncio perfeito ao navegar nas páginas web – agora com desconto para uma marca especifica de botas que eu desejo. Estava ali uma caixinha perfeita na minha página web favorita de artigos sobre restaurantes em Lisboa. Penso meio segundo antes de clicar, e quando clico penso: - Eu nem acredito! É este o modelo e têm o meu número! Como é que eles sabiam? E pior que isso, nos últimos tempos não fui à página da loja de botas.

Há cerca de um mês fui de facto navegar ao site desta marca, procurei e procurei – quando encontrei fiquei cerca de 2 minutos a ver as condições, rever o preço, ver mais fotos e outras opções de cores. Mas vi o preço e rapidamente esqueci o desejo. Mas aqui estão eles, 2 meses depois a metade do preço ... suspeito! Na realidade nada tem de suspeito, mas sim a ver com AI (Artificial Intelligence). Os novos anúncios guardam o que nos navegamos, recomendam o que os nossos pares desejam e tentam chamar a nossa atenção com notificações repetidamente.

Estes sistemas de recomendação não são humanos, apenas máquinas a fazerem o que deviam. Recomendam. Todos os dias avaliam milhões de padrões, milhares de hipóteses com utilizadores e descobrem sozinhos através dos dados que nós mesmos facilitamos de borla para eles nos agarrarem.

A realidade dos nossos tempos é que cada clique e cada segundo extra que passamos a olhar para aquela “imagem” estamos a ensinar a esta máquina que esta questão tem importância e é imediatamente recomendada a outros milhares de utilizadores (parecidos connosco).

Talvez seja tempo de voltarmos a comunicar mais entre nós, a pedir opiniões e a ler recomendações que nos pareçam verdadeiras. Nem sempre é fácil, mas se tivermos consciência que já não estamos a ser recomendados, mas sim ligeiramente manipulados estamos mais próximos de fazer com que a internet evolua. Cabe a todos a nós - web designers, engenheiros, marketeers e utilizadores compreender o que está a acontecer na nossa vida online – e criar uma internet mais humana.

 

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