Ser orador em palcos virtuais é tramado

Ser orador em palcos virtuais e webinars sem conseguir sentir o público que nos assiste é tramado! Estamos todos a aprender e a adaptar-nos. Oradores e público estão a encontrar o seu papel neste novo modelo digitalizado de reuniões, apresentações e eventos online.

Maria Cabral de Sousa
Mai 18 • 4 min leitura
Ser orador em palcos virtuais é tramado

Escrevo-vos no papel de quem tem assistido a inúmeros webinars, participado em meeting online com vários intervenientes e em eventos digitais nacionais e internacionais aos quais hoje, mais que antes, consigo estar pontualmente presente sem ter de ponderar tanta coisa.

Tenho feito parte de plateias “cheias de gente ausente” e assistido a oradores de diferentes idades e nacionalidades que, em modo webinar, conferência, ou formação com partilha de ideias, falam de um tema do meu interesse e me levam a inscrever.

É com o olhar crítico de quem assiste da plateia que hoje vos venho falar dos que estão nos palcos digitais, partilhando algumas dicas construtivas!

O esforço é louvável, a capacidade de lutar contra os entraves tecnológicos em gerações mais velhas é admirável. Milhares de pessoas viraram artistas do ecrã partilhando know-how nos desafiantes palcos dos webinars, formações e eventos online.

Nem todos nasceram para pisar o palco, isso ja sabíamos, mas novo é perceber que mesmo os que já dominavam o palco, modificam-se atrás do ecrã, sentem a falta do burburim público, das palmas, da música a tocar quando entram ... e ficam constrangidos, demasiado formais e com um olhar estranho de quem fala para o infinito sem ninguém a ouvi-lo.

Aqui ficam algumas dicas para os oradores, de quem assiste atentamente:

  • Seja pontual: num país em que o atraso impera, os portugueses viraram masters da pontualidade, por isso, esteja pronto para começar 10 minutos antes da hora anunciada
  • Afaste-se do ecrã: se está sentado a falar para uma câmara, encoste-se direito na cadeira para não ficar tão “colado” à câmara
  • Aumente a letra das suas notas para conseguir lê-las sem ter de se colar ao ecrã e sem ter de fazer caretas de quem está a ler com dificuldade
  • Saiba gerir as falhas de net, a passagem entre oradores e os silêncios ... sem ficar só a falar das falhas repetidamente e a acumular momentos mortos
  • Não exagere nos formalismos e agradecimentos: Quando tem vários oradores apresente-os, mas depois não passe o tempo todo a agradecer a intervenção de um e de outro com um formalismo desnecessário num tempo em que as barreiras estão a ser quebradas e todos nos sentimos mais próximos
  • Saiba esperar: quando há vários oradores num painel é importante que a conversa flua normalmente, mas é igualmente importante saber esperar para falar porque as conversas sobrepostas viram ruído no digital e fica impossível de entender
  • Mesmo quando projeta alguma apresentação mantenha a “sua cara numa janelinha”, não saia de cena, para redobrar a atenção de quem o ouve
  • Permita que as pessoas que estão a assistir partilhem as suas caras, falar para várias janelas com carinhas é mais fácil do que falar para o vazio
  • Faça perguntas, mas saiba esperar pelas respostas serenamente, há um delay próprio do digital e o seu público tem de tomar uma série de decisões novas antes de participar: escrever no chat ou falar a viva voz? fazer unmute do som? partilhar só som ou ecrã?
  • Quebre o gelo e seja natual.

No meio disto tudo, surpreendentemente, sinto que é a geração mais velha que está a “dar cartas”. São eles que, embora menos ágeis no digital, estão mais à vontade neste modelo onde ninguém (nem eles próprios) espera que sejam masters tecnológicos e, talvez por isso, encaram tudo com mais naturalidade, sem terem nada a provar e são, com isso, mais eficazes na mensagem.

A arte de pisar um palco digital não é para todos mas está acessível a todos e agora, mais que nunca, neste processo de nos reinventarmos, temos o direito e, quem sabe, a obrigação, de o fazer.

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