Do design ao Tête-à-tête: O novo Claude Design

Se perguntarmos a qualquer designer gráfico, qual a sua ferramenta de trabalho de eleição, a probabilidade de responderem que é o Claude é praticamente nula.

Marta Guimarães Ferreira
Abr 22 2026 • 4 min leitura
Do design ao Tête-à-tête: O novo Claude Design

Para os nossos leitores menos techy, mas não por isso menos interessados, talvez convenha explicar que o Claude é um assistente de inteligência artificial assente num modelo de linguagem (LLM), tal como o Chat GPT ou Perplexity, mas destaca-se pela sua capacidade de análise de documentação longa, por um raciocínio cuidadoso, e pela complexidade das conversas.

O Claude estava, por esse motivo, longe de ser uma uma ferramenta visual: não havia uma artboard onde se pudessem ajustar píxeis, nem uma sensação direta de “ver” o design a ganhar forma. O potencial do Claude para os designers, que são visuais por natureza, era de alguma forma Lost in Translation.

Contudo, este fim-de-semana tudo mudou. Nasceu o Claude Design.

Trata-se de uma nova forma de fazer design: em vez de se partir de uma folha em branco, começa-se com uma frase. Em vez de construir layouts elemento a elemento, basta descrever o que se pretende e, em poucos segundos, surge uma proposta estruturada, pronta a ser refinada. À primeira vista, pode parecer apenas mais uma evolução da IA, com fluxos de trabalho mais rápidos e prototipagem simplificada. Mas há algo mais profundo a acontecer nos bastidores.

O design está a libertar-se do desenho e a transformar-se numa conversa.

 

Do desenho à curadoria

A forma mais simples de compreender esta mudança é pensar no designer, menos como um executor e mais como um director artístico. Num fluxo de trabalho tradicional, o designer posiciona cada elemento, ajusta as margens, é obrigado a intervir manualmente em cada detalhe gráfico do seu projeto. Com ferramentas como o Claude Design, esta relação sofre uma profunda transformação. Já não se trata de construir tudo do zero, mas sim de moldar algo que já está a ganhar forma à nossa frente.

Define-se o tom. Define-se a direção. Reage-se ao que emerge. Por exemplo, podemos pedir ao Claude:
«torna isto mais leve»
«mais espaço para respirar»
«menos corporativo, mais humano»

E o design ajusta-se em conformidade, como que por magia.

O processo torna-se cíclico: descrever, ver, ajustar, repetir. O controlo não desaparece, transforma-se. Passa da manipulação direta para um curadoria através da linguagem.

Mais opções, decisões mais difíceis

Uma outra mudança significativa é a velocidade a que se chega a uma panóplia de possibilidades. Se antes, por falta de tempo e pelos limites da produção humana, apenas era possível explorar alguns caminhos gráficos e conceptuais, agora é possível gerar, em poucos segundos, uma quantidade imensa de cenários.

De facto, quando tudo se torna possível, o desafio deixa de ser gerar ideias. Passa a ser escolhê-las. O trabalho já não está em criar opções, mas em reconhecer quais as que realmente têm valor.

A outra face da Lua

Toda esta rapidez, é acompanhada de um efeito secundário. Se a maioria das pessoas começar a pedir designs minimalistas, modernos, etc., a probabilidade dos resultados se tornarem visualmente semelhantes, aumenta. Não porque a ferramenta de IA limite a criatividade, mas porque a própria linguagem tende a inclinar-se para padrões familiares.

É neste sentido que o bom gosto, ter mundo, conhecer várias realidades, ter uma visão estratégica e conhecer bem o cliente, se torna indispensável. Porque, se gerar ideias com o Claude é algo ao alcance de muitos, discernir quais as decisões que o devem orientar na direção certa exige um outro nível de maturidade.

O fim da execução, o início da linguagem

Mesmo que o processo evolua, os fundamentos do design mantêm-se inalterados. O papel da clareza, da emoção e da intenção em qualquer design permanece intacto. O que está a mudar é o papel do designer: de carpinteiro passa a mestre de obras, de commis a chef, de músico a maestro. O designer, passa de executor a diretor criativo, mais focado nas decisões do que na execução. Saber o que pedir, o que refinar, o que preservar e o que eliminar, torna-se essencial.

Não deixa de ser curioso que, à medida que a tecnologia evolui, acabemos por regressar a algo tão essencial na própria evolução humana como a linguagem. Não haverá aqui uma dicotomia interessante: quanto mais avançamos tecnologicamente, mais nos aproximamos do gesto mais primário de todos, o de comunicar para construir?

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