AI Talks: Do SEO ao AEO - deixámos de otimizar para aparecer e passámos a otimizar para ser a resposta

Durante quase duas décadas, o objetivo foi chegar ao topo do Google. As regras mudaram, e a maioria das marcas ainda joga o jogo antigo.

Maria Cabral de Sousa
jul 30 2026 • 2 min leitura
AI Talks: Do SEO ao AEO - deixámos de otimizar para aparecer e passámos a otimizar para ser a resposta

Durante quase 20 anos, o objetivo digital foi claro: aparecer na primeira página do Google. Construímos websites, escolhemos palavras-chave, conquistámos links e subimos posições. O SEO - Search Engine Optimization - foi a língua que praticamente todos aprendemos a falar.

Só que a forma como as pessoas procuram informação mudou. É cada vez mais raro os utilizadores percorrerem dez resultados à procura da melhor opção. Pense na última vez que precisou de escolher um fornecedor, um hotel, um restaurante, perceber um tema novo ou pedir uma recomendação: é provável que tenha perguntado ao ChatGPT, ao Gemini, ao Claude ou ao Perplexity, e aceitado a resposta sem abrir 10 separadores. A “primeira página” encolheu para uma só resposta.

É aqui que nasce uma nova disciplina: o AEO - Answer Engine Optimization (há quem lhe chame também GEO, Generative Engine Optimization). O objetivo deixou de ser apenas aparecer. Passou a ser “a resposta que a IA escolhe dar”.

A diferença não está apenas na letra. O SEO otimiza para palavras-chave e posição; e o AEO otimiza para compreensão e citação. O Google devolvia uma lista e deixava a pessoa escolher. A IA devolve uma decisão já tomada.

Na prática, muda o terreno de jogo. Em vez de competir por um lugar no ranking, trabalhamos para que a IA perceba com precisão quem a marca é, o que faz e porque merece ser citada. Isso exige conteúdo claro e semanticamente organizado, dados estruturados, coerência entre idiomas e canais, e informação escrita para ser consumida por máquinas - e não apenas lida por pessoas.

Um esclarecimento importante: o SEO não morreu. Estar bem indexado continua a ser essencial - é o alicerce sobre o qual tudo assenta. Mas deixou de ser suficiente. Quem se limita ao SEO tradicional está a otimizar para uma página a que cada vez menos pessoas chegam.

Uma marca pode ser o número um no Google e, ao mesmo tempo, ser praticamente invisível para a IA. São jogos diferentes, com regras diferentes.

Ainda são poucas as marcas que perceberam isto. Quem compreende a mudança, cedo ocupa o espaço de autoridade, antes de a concorrência dar conta de que as regras mudaram. Ser a resposta escolhida não é sorte, constrói-se.

 

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